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O futuro já começou



autor: ALEX KUNRATH, Consultor Sênior IDAti
alex@idati.com.br


O mundo está mudando a cada dia. Estamos prestes a vivenciar uma nova revolução em nossa estrutura social, dessa vez pela Inteligência Artificial Cognitiva.

Estamos passando por mudanças profundas em nosso comportamento social. As pessoas cada vez mais se identificam em tribos, nichos, e se aglomeram atrás de vozes que supostamente as representam. Uma grande gama de jovens acadêmicos hoje atravessa uma graduação inteira sem abrir um livro sequer.

Vivemos em um tempo de verdades absolutas, de imposições. A criação, a discussão como algo positivo, está sendo substituída por bandeiras.

É chocante ver estudantes de administração defendendo a queda do capitalismo. É estranho perceber outros esperando o tempo passar, sem fazer o menor esforço em busca do futuro. É como se o futuro brilhante apenas aguardasse uma grande parcela de jovens daqui a alguns anos, como se um diploma fosse o suficiente para uma carreira de sucesso.

Como está difícil contratar jovens que unam talento à força de vontade.  Às vezes somos obrigados a escolher entre o talentoso e o esforçado. E, sinceramente, tenho tendido a contratar esforçados. O esforçado tem suas limitações, mas está disposto a aprender. O talentoso muitas vezes se limita dentro de seu espectro de conhecimentos e se torna quase uma ferramenta. É um software inteligente, mas muitas vezes displicente com suas obrigações.

Jovens talentos e esforçados são raros. Conheci nesses anos envolvido com o meio acadêmico dois. Sim, em 6 anos envolvido em palestras e cursos, conheci apenas 2. E tentei contratá-los.
Obviamente que estes jovens já estavam posicionados, sendo um deles já um empreendedor e tendo seus próprios colaboradores.

Diante desse cenário, fui me dedicando a conhecer mais ferramentas para meu trabalho. Estudo, leio e aprendo algo novo praticamente todos os dias. Hoje sou um profissional multidisciplinar e desempenho muitas vezes trabalhos que outros precisam de equipes inteiras para desenvolver. Obviamente que trabalho com uma equipe de apoio ou mesmo delego projetos completos, supervisionando os mesmo. Mas isso é uma questão de gestão de tempo.

Agradeço à tecnologia por me permitir diversas variáveis técnicas dentro de nossos projetos.

Quando você acrescenta diversas habilidades ao seu dia-a-dia, você consegue aloca-las de maneira estratégica. Você desenvolve ideias e já as implementa, ou orienta sua implementação de maneira qualificada. O tempo onde as empresas se dividiam por setores e cada um cuidava do seu quadrado acabou. Tempo que pensar de forma unificada.

E para tanto os profissionais devem ser multidisciplinares.
Você se tornar um camaleão permite algo ainda mais raro que um talento unido ao esforço: você se torna estratégico.

Dito isso, vamos espiar um pouco do futuro:

- Impressoras 3D substituindo linhas inteiras de produção. Em alguns anos você terá uma dessas em casa amigo, e em vez de comprar um produto pronto na loja irá comprar um projeto online e imprimir seu objeto de desejo em casa.

- Computadores que aprendem. Sim, a Inteligência Artificial Cognitiva se resume, de maneira simplificada, em softwares com capacidade de aprendizagem e tomada de decisões.

Só esses dois fatores já irão mudar o mundo que conhecemos. Vivenciaremos uma verdadeira revolução de conhecimento e estruturas sociais. Obviamente, as empresas terão que se adaptar (as que ainda não começaram o processo de renovação, vide o exemplo brasileiro que em regra só inicia mudanças quando enfrente problemas econômicos).

Se você nem tinha pensado a respeito desse futuro, próximo, diga-se de passagem, está na hora de pensar e planejar. Se é empresário, repense sua estrutura e se prepare. Se é um estudante ou um profissional, reflita até que ponto você é estratégico e quais as lacunas em seus conhecimentos e habilidades deve suprir desde já.

Porque se você é um trabalhador operacional, dificilmente manterá seu emprego no futuro.
Lembro bem de uma estagiária que trabalhou comigo por um curto período. Ela estava se formando em administração e repassei informações e dados sobre a empresa, sobre o mercado e sobre os clientes. E a desafiei a elaborar uma estratégia para captação de novos clientes.

Costumo desafiar os meus colaboradores, a treiná-los a serem independentes. Acredito que pessoas que enxergam a empresa como um todo são capazes de gerir suas tarefas e propor melhorias sem a necessidade de supervisão.

Passado o prazo de uma semana ela veio conversar comigo. Estava pedindo demissão.

A justificativa: eu estava exigindo que ela pensasse estrategicamente e ela estava contente com uma oferta de trabalho para trabalhar na área de recursos humanos de uma empresa ... preenchendo uma planilha de folha de pagamentos.

Ela não queria ou não se sentia apta a refletir, criar e desenhar o futuro. Ela se via como uma ferramenta. Um martelo, desde que apontassem o prego e onde colocá-lo.

O futuro desses “martelos” é se tornarem pregos. Obsoletos, os operacionais serão relegados à cargos de segunda linha, com salários compatíveis. Só sobreviverão no meio empresarial se forem mais acessíveis financeiramente que uma máquina pensante.
Mas máquinas, mesmo capazes de aprender, não serão capazes de sentir emoções, desejos, angústias. Não conseguirão desenvolver estratégias interativas com pessoas.

Você lembra que no início do texto falei sobre o comportamento “tribal” que assola os mais jovens? Como uma máquina irá interagir e se comunicar com os valores, com os sonhos das pessoas?

Para lidar com pessoas precisamos de pessoas:

Talentosas.

Esforçadas.

E estratégicas.

Pense nisso. Vai fazer a diferença para sua empresa. Ou para seu futuro profissional.


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