Pular para o conteúdo principal

Como perder clientes

Muito se fala em como conquistar clientes. Mas e como perder? 

Existem muitos livros e artigos a respeito da fidelização de clientes. Quando se trata especificamente de produtos, as empresas buscam sempre o melhor custo-benefício para seu público-alvo. 


Não confunda preço com custo-benefício, já que existem milhares de pessoas dispostas a pagar altos preços por exclusividade ou por inovação. Já quando se trata de serviços, a relação é um tanto quanto delicada. O cliente se preocupa com preço, qualidade, tempo e, quem sabe, afinidade.

O interessante é perceber que por mais variáveis que existam nesse relacionamento entre cliente e empresa, a preferência dos gestores de empresas de serviços é pelo vínculo coercivo do seu cliente. É mais fácil amarrar o cliente via contratos e multas do que pelo serviço bem prestado.

Quando adquire um serviço, o cliente geralmente não tem muita noção dos meios para a realização do contratado, mas sim do objetivo. Contratando um advogado você sabe o que pretende, mas não sabe todos os pormenores de como este irá defender os seus interesses. Quando contrata uma operadora de serviços de telecomunicações, você sabe que quer telefonar, receber e enviar mensagens e e-mails e alguns outros serviços por um preço justo. Quer vender seu apartamento? Um corretor vai fazer o negócio para você. Mas e se o serviço não for tão bom quanto o cliente gostaria e ele resolver rescindir o contrato? Multa nele!

Chegamos ao primeiro mandamento do péssimo prestador de serviços: “incluirás no teu contrato uma multa desproporcionalmente alta, para que o cliente desista da intenção de ser bem atendido”. Claro que na primeira oportunidade o cliente vai procurar outro prestador de serviços. Mas a empresa já garantiu alguns trocados para sua manutenção.

A título de exercício vou expor algumas situações reais. É um roteiro de péssimas práticas, mas reflita após a leitura: será que você não viu nenhuma dessas situações em sua empresa?

> Prometa e não cumpra na íntegra o combinado: afinal, o que interessa é o fim, não os meios. É mais difícil o cliente escapar quando algum serviço tem falhas no decorrer do processo, já que se ele procurar outro prestador do serviço solicitado terá que recomeçar do zero todo o processo.

> Inclua adendos de custos durante a prestação de serviços: é muito mais difícil fazer um orçamento completo antecipado. Não se preocupe com exatidão, apenas demonstre “novas necessidades orçamentárias” ao cliente. Alguns dígitos a mais fazem parte de qualquer prestação de serviço.

> Venda um produto ou serviço e não entregue no prazo : Paciência é uma virtude ... mostre ao cliente que você reconhece suas virtudes.

> Está sem estoque de certo produto? Não tem certeza de quando este será reposto? Venda assim mesmo! Se Deus fez o mundo em 7 dias, seu fornecedor pode fazer um produto em 3. Prometa a entrega em 5 dias úteis e tudo está resolvido.

> Se o cliente está em dúvida sobre o produto que irá levar, venda o mais caro. O preço diz quão bom é um produto, portanto não tem como ele se arrepender.

> Relacionamento é importante apenas com o cônjuge, com os amigos, com a família. Seu cliente está interessado em compra x entrega, não em ser bem atendido e ter todas as informações que necessita. Ocorreu um erro? Deixe que o cliente descubra, ele vai se sentir parte ativa do processo.

> Se está prestando um serviço, gere um erro imperceptível. Quando algo começar a dar errado, o cliente vai chamar você novamente e isso gera receita.

> Você é consultor? Aja como psicólogo da empresa, dê sempre total razão para o cliente. Quando ele perceber que você só serviu para sugar recursos e massagear seu ego, com certeza vai lembrar dos bons momentos que passou junto a você e lhe contratar novamente para longas horas de bate-papo (pago) sobre o mundo empresarial.

Bom momento para expor o segundo mandamento do péssimo prestador de serviços: “tornarás o cliente seu refém”. Um bom exemplo: se você trabalha com softwares, não faça um excelente trabalho de uma vez. Faça vários trabalhos medianos durante um ano. Lembre-se: o refém se apega ao sequestrador quando exposto a longos períodos de convivência (Síndrome de Estocolmo).

Vamos tentar otimizar nosso tempo e trazer dados práticos para utilização imediata. Com esses dados você pode saber se sua empresa atrai ou afasta clientes. Primeiramente, vamos definir 4 critérios: preço, qualidade, tempo de entrega/execução e afinidade.

Agora, um breve questionário. Esse questionário deve ser respondido pelo CLIENTE e pelo GESTOR. Comparar as duas percepções é vital para saber se as impressões estão alinhadas. Caso não estejam, a resposta é óbvia: sua empresa não conhece seu cliente.
.
IMPORTANTE: retire o texto entre parênteses antes de aplicar com o cliente o questionário.
.
PREÇO
O preço do produto/serviço é
( ) barato (muito melhor que da concorrência)
( ) acessível (melhor que da concorrência)
( ) justo (padronizado com a concorrência)
( ) caro (mais caro que a concorrência)
.
QUALIDADE (produto)
( ) baixa qualidade (o diferencial é o preço)
( ) razoável ( mediano)
( ) bom (bom produto)
( ) excelente (ótimo produto)
.
QUALIDADE (serviço)
( ) mal feito
( ) suficiente
( ) bem feito
( ) ótimo
.
TEMPO DE ENTREGA / EXECUÇÃO
( ) péssimo
( ) descumprido
( ) razoável
( ) pontual
.
AFINIDADE
( ) péssimo atendimento
( ) indiferente
( ) bom nível técnico
( ) muito bem atendido
.

Tenho certeza que algum marketeiro adorador de pesquisas está se perguntando: “ele chama isso de questionário?”. Já vou adiantar a resposta: você tem paciência para completar longas pesquisas ou questionários?

Lembre-se: esse questionário é uma forma de encontrar indícios sobre sua relação com seus clientes.

Algumas colocações sobre a percepção do cliente:
.
PREÇO: O ideal é que sua média esteja entre acessível e justo. “barato” ou “caro” são termos pejorativos. Se é barato é porque é de “balaio” e se é caro é porque o custo-benefício é péssimo.
.
QUALIDADE (produto): compare a visão do cliente com a do gestor. Nem sempre a empresa foca sua estratégia na qualidade do produto. O problema se instala quando o gestor acha que seu produto é melhor do que pensa o cliente. E mais: baixa qualidade é uma péssima impressão até para o consumidor com poder aquisitivo mínimo.
.
QUALIDADE (serviço): apenas uma impressão interessa aqui: ótimo. Bem feito ainda tem o que melhorar. Falta se esforçar mais ... ou o problema está na Afinidade. Compare os dois fatores. Talvez o que realmente faltou foi mais empatia.
.
TEMPO DE ENTREGA / EXECUÇÃO: aqui não existem desculpas. Pontualidade é essencial para o sucesso. Garanta um alto grau de satisfação entre seus clientes. Exceções podem existir, mas lembre-se: uma má impressão rende péssimas recomendações a um grande grupo de potenciais clientes.
.
AFINIDADE: aqui está o quão carismático é seu time. Um bom atendimento é tão importante quanto todos os outros fatores, com um diferencial: o cliente lembra mais de um bom atendimento que de um endereço.
.
    Agora, o terceiro mandamento do péssimo prestador de serviços: “ninguém conhece seu negócio melhor que você mesmo”. Não perca tempo prestando atenção nos outros. Você é genial e não precisa de informações!

Então meu caro, você é um fidelizador ou um perdedor de clientes?



Alex Kunrath, Consultor Sênior




A IDAti é empresa de Consultoria e Treinamento especializada em Reestruturação Comercial (Marketing e Vendas integrados) de Porto Alegre, RS, com atuação nacional.



Conheça nossos cursos online e tenha acesso à materiais exclusivos para download:


O site Aulas de Negócios é um compêndio de materiais de consultoria e treinamento desenvolvido pela IDAti e seu conteúdo é protegido pela Lei nº 9.610, de 1998. Todos os materiais são para seu desenvolvimento pessoal e profissional, sendo que a replicação desses conteúdos em sites, aulas, palestras e consultorias, sem a prévia autorização, será considerada crime de violação de direitos autorais.

Postagens mais visitadas deste blog

O futuro já começou

O mundo está mudando a cada dia. Estamos prestes a vivenciar uma nova revolução em nossa estrutura social, dessa vez pela Inteligência Artificial Cognitiva. Estamos passando por mudanças profundas em nosso comportamento social. As pessoas cada vez mais se identificam em tribos, nichos, e se aglomeram atrás de vozes que supostamente as representam. Uma grande gama de jovens acadêmicos hoje atravessa uma graduação inteira sem abrir um livro sequer. Vivemos em um tempo de verdades absolutas, de imposições. A criação, a discussão como algo positivo, está sendo substituída por bandeiras. É chocante ver estudantes de administração defendendo a queda do capitalismo. É estranho perceber outros esperando o tempo passar, sem fazer o menor esforço em busca do futuro. É como se o futuro brilhante apenas aguardasse uma grande parcela de jovens daqui a alguns anos, como se um diploma fosse o suficiente para uma carreira de sucesso. Como está difícil contratar jovens que unam talent...

Já pensou que “pode ser” pode ser muito ruim?

Todas as pessoas que possuem acesso a meios de comunicação no Brasil conhecem a propaganda da Pepsi, onde a empresa utiliza o slogan “Pode ser muito bom. Pode ser Pepsi”, quando um cliente não encontra Coca-Cola e lhe é oferecida a opção Pepsi. Pois bem, essa propaganda está surtindo resultado positivos nas vendas da empresa. Porém, mesmo com bons resultados em curto prazo, um olhar mais crítico pode ser crucial para percebermos os abalos que a marca poderá sofrer em médio e longo prazo. Por que? A resposta é simples: posicionamento. Quando analisamos um pouco sobre a história dos refrigerantes de cola, percebemos que a Pepsi rivalizou por anos com a Coca-Cola pelo domínio do mercado mundial. A “nova geração” enfrentava os “tradicionalistas vermelhos” em uma batalha feroz pela preferência dos consumidores, chegando inclusive a ser o refrigerante mais vendido do mundo por um breve período de tempo. A Pepsi tem em sua história o comercial mais caro já produzido, onde Mi...

Recessão: perigo ou oportunidade?

Um ambiente de recessão apresenta diversos perigos para as organizações.  E Oportunidades. O caminho certo é se assustar ou se preparar para ganhar mercado? Os que se assustam com o prognóstico de uma recessão são aqueles que foram reativos até o presente momento. Perceba: já está desenhado há anos o cenário atual. E, se o pior ainda está por vir, por que os empresários, em geral, não se prepararam? Amigo leitor, temos aqui dois perfis de gestores a analisar (Vamos excluir aqueles que trabalham em mercados estáveis, commodities ou no setor financeiro, nos atendo à nossa realidade – somos predadores disputando cada palmo do mercado):       1)        Inovadores , que buscaram novas técnicas e estratégias para guiar seus negócios (e esses, apesar de todo o cenário negativo, não estão com medo).       2)        Reativos , que quando surge uma variação econômica se assustam, demi...

Capital Humano

Artigo focado na gestão de Recursos Humanos de pequenas empresas. Você conhece seus colaboradores? em que o capital humano afeta sua empresa? As empresas em geral supervalorizam os ativos que adquirem, mas nem sempre dão a mesma ênfase na valorização do capital humano. Em geral são empresas constituídas há alguns anos, que encontraram uma boa rentabilidade e conseguiram alcançar certo sucesso (ao menos aos olhos dos gestores) em seus mercados.  Mas esse sucesso é sustentável? Uma empresa não se mantém sem pessoas enraizadas em sua cultura, sem que os funcionários sejam realmente colaboradores dentro do desenvolvimento do negócio. Mas este é um ponto delicado: não é fácil transformar funcionários em parceiros de seu empreendimento. Obviamente não é possível desenvolver aqui uma solução generalista que solucione todos os problemas em relações humanas dentro de qualquer empresa, tampouco essa é minha pretensão. Mas é possível elencar algumas possibilidades que vão...

As Tartarugas sobre Postes

Muitas vezes cedemos ao impulso de sobrevalorizar pessoas nas quais confiamos. Escolhemos pessoas que nos são caras, que criaram um vínculo emocional conosco. E que se tornam leais com o passar do tempo, parceiras em momentos de necessidade. Pessoas que devem sim ser valorizadas.  Mas quando você valoriza essa pessoa, está pensando na organização ou nos seus valores pessoais? Perceba, pessoas possuem perfis ou afins ou díspares. E não é porque não temos uma boa comunicação com uma pessoa de um perfil antagônico ao nosso que ela se torna menos competente. Assim como pessoas que criam afinidade, elos emocionais conosco, não necessariamente são mais competentes. Gestão envolve decidir. E nem sempre estamos preparados para decidir corretamente. Humanos são seres extremamente sociais. E afinidades são caras para nós. Então quando surge uma boa oportunidade de promover alguém da sua equipe você simplesmente pesa mais afinidades que competências...

Vendas em Janeiro e Fevereiro: um desafio intransponível?

Chegado o final de ano, o que se percebe no comércio em geral é uma grande euforia natalina que precede a grande baixa de vendas que ocorre no período de janeiro e fevereiro. Será esta uma realidade imutável? Sua empresa pode trabalhar formas de diminuir os efeitos da sazonalidade em seu negócio? Este artigo traz algumas perspectivas diferentes a serem analisadas, de forma a contribuir para uma passagem mais sadia pelos meses iniciais do ano. O primeiro ponto a ser analisado: Janeiro e Fevereiro são períodos historicamente difíceis para a atividade comercial. Por partir deste pressuposto as empresas em geral já trabalham com perspectivas mais modestas de vendas, o que se reflete em uma maneira menos agressiva de trabalho neste período. Qual o primeiro passo para fazer um bom resultado neste período do ano? Mudar a maneira como sua empresa irá se portar neste período. Em momentos onde a demanda é menor, vende quem se diferencia. Por que seguir um comportamento padrão de mercado ...

CRM para pequenas e médias empresas

Muito se fala em CRM, mas é interessante perceber que pouco conhecimento é aprofundado a respeito do termo. Não confunda CRM com um sistema de informações ou mesmo uma ferramenta. CRM é uma estratégia organizacional e sua empresa pode ser preparada para ela. Qual o futuro das relações da sua empresa com seus clientes? Em um mercado cada vez mais competitivo, é impressionante visualizar o número de empresas que ainda não trabalham com diferenciais na qualidade do relacionamento com seus clientes. Será que o cliente brasileiro ainda não é tão exigente quanto o cliente americano ou europeu? quem partir dessa premissa está com seu negócio fadado ao fracasso. O desenvolvimento do e-commerce trouxe mais um fator de complexidade às relações empresa-cliente: hoje as pessoas podem comprar de empresas do mundo inteiro. Sua empresa não concorre mais com as demais em sua região, concorre com empresas globalizadas. É possível fidelizar clientes nesse cenário? Não. O que é poss...