Pular para o conteúdo principal

Michael Porter está superado?



Sempre que a sociedade demonstra mudanças, surgem novos autores atacando a velha guarda da gestão, como foi o caso da enxurrada de ataques à Michael Porter pela falência de sua empresa de consultoria. Estarão certos ou serão apenas aproveitadores de oportunidades?

Este texto vai abordar alguns tópicos da Estratégia Empresarial de Michael Porter, desmistificando as “contribuições” feitas por novos autores à Administração.

Vamos começar: se você já leu autores atacando as teorias de Michael Porter, possivelmente já viu os mesmos defendendo “inovações” como as estratégias do Oceano Azul e da Cauda Longa. São abordagens inovadoras? A resposta é não.

Michal Porter definiu 3 posicionamentos genéricos para as organizações: (I) Custos, (II) Diferenciação e (III) enfoque:

(I)                 Custos: busca do menor custo possível sempre, onde seu diferencial está na relação custo x benefício percebida pelo consumidor.
(II)               Diferenciação: seus produtos ou serviços possuem qualidades que seus concorrentes não possuem e dificilmente possuirão.
(III)             Enfoque: sua organização tem todas suas ações voltadas para um nicho de mercado desatendido (ou mal atendido) pelo mercado.

Vamos aprofundar um pouco nossa análise: A distribuição Normal


Vamos imaginar que a Normal demonstra também a ocorrência da Demanda e a respectiva presença de organizações para o atendimento desta. Podemos concluir que quanto mais nos posicionarmos nos extremos da Normal, menos incidente será a demanda e a respectiva oferta de soluções.

Agora, vamos analisar a cauda longa:

  
 Espelhando a cauda:



Acabamos de encontrar a normal. E onde está o Oceano Azul? Onde existir uma concorrência mínima. Agora a chave-de-ouro: onde existe menor concorrência? Enfoque. Nossos autores “inovadores” reescreveram Michael Porter.

O Modelo das 5 forças de Porter:


   Analise o modelo das 5 forças como uma queda-de-braço entre concorrentes em um determinado mercado. Dependendo do seu posicionamento (visto acima), trabalhar constantemente a análise desse modelo pode ser a diferença entre a sobrevivência e a falência da sua organização.

  


 Que tal trabalhar com um exemplo conhecido? Grupo Pão de Açúcar x Walmart


O Walmart é líder mundial no varejo com o posicionamento CUSTOS. Como empresas sediadas no Brasil barraram o avanço do líder mundial no país?

O Grupo Pão de Açúcar, que possui entre seu roll de empresas redes como o Pão de Açúcar, o Extra, a Ponto Frio, a Assaí e hoje fundido com a Casas Bahia, possui o maior poder de compra dentre todas as empresas do Brasil. O volume adquirido junto aos seus fornecedores é geometricamente superior ao do grupo Walmart no Brasil.

Qual grupo consegue comprar os produtos em melhores condições no país? Pão de Açúcar ou Walmart? Obviamente, pelo volume, o Pão de Açúcar.

Assim, o Grupo Pão de Açúcar diluiu o poder de barganha de seus fornecedores e criou uma barreira de entrada para um potencial concorrente (Walmart), diminuindo ainda o poder de barganha dos clientes.

Essa situação é um problema na estratégia global do Walmart? Sem dúvida. Hoje a rede Walmart está comprando diversos pequenos grupos varejistas no Brasil, buscando assim um maior volume de compras e um maior poder de influência sobre os fornecedores. Mas esse é um processo longo e o crescimento do Grupo Pão de Açúcar independe da estratégia adotada pelo Walmart.

Diante desses 2 exemplos apresentados (posicionamento estratégico e modelo de forças): É válido dizer que Porter está superado?

Então, por que a empresa de Michael Porter faliu? Caro leitor, os negócios não são independentes do ambiente externo das organizações e muito menos independentes do comportamento dos consumidores. O que determina o sucesso de uma organização hoje é sua capacidade de melhorar continuamente seus processos, criando diferenciais competitivos constantes em relação à concorrência e, principalmente, sua capacidade de se relacionar com seus clientes.

Não estamos em uma realidade onde apenas um modelo teórico é suficiente para orientar a estratégia de uma organização. Inteligência na área de negócios é a capacidade de unir diversas estratégias e modelos que permitam à organização cativar, manter e conquistar novos clientes hoje e no futuro. E dentre os modelos estratégicos que obrigatoriamente deverão ser analisados pelos executivos da sua organização, estão os de Michael Porter.





Alex Kunrath, Consultor Sênior 
IDAti Consultoria e Treinamento: 
www.idati.com.br



A IDAti é empresa de Consultoria e Treinamento especializada em Reestruturação Comercial (Marketing e Vendas integrados) de Porto Alegre, RS, com atuação nacional.



Conheça nossos cursos online e tenha acesso à materiais exclusivos para download:


O site Aulas de Negócios é um compêndio de materiais de consultoria e treinamento desenvolvido pela IDAti e seu conteúdo é protegido pela Lei nº 9.610, de 1998. Todos os materiais são para seu desenvolvimento pessoal e profissional, sendo que a replicação desses conteúdos em sites, aulas, palestras e consultorias, sem a prévia autorização, será considerada crime de violação de direitos autorais.

Postagens mais visitadas deste blog

ESTUDO DE CASO: Mestres do Capitalismo

Estudo de caso autorizado pela equipe de criadores do Clube do Valor MESTRES DO CAPITALISMO Estudo de caso sobre o infoproduto, de sua concepção ao alcance do status de maior curso de Finanças Pessoais do Brasil Autor: Alex Kunrath, Consultor Sênior da IDAti alex@idati.com.br 1. INTRODUÇÃO O presente estudo de caso busca esclarecer as ações e estratégias que envolveram os lançamentos das duas edições do curso online Mestres do Capitalismo, que em 2018 foi o maior lançamento do Brasil, premiado pela Hotmart pelo número de vendas atingidas e que em 2019 teve sua segunda edição. Essa análise trata de uma visão única sobre o trabalho e capacidade empresarial envolvidos na parceria das marcas Nando Moura e Clube do Valor, analisando os pressupostos da criação e promoção deste que é o maior curso de educação financeira do Brasil. Quais os acertos que levaram a primeira edição ao sucesso absoluto? Quais as lacunas e fatores que influenciaram a estimativa d...

Como utilizar KPI’s na Gestão Comercial?

A criação de indicadores é a chave para aumentar drasticamente a velocidade das ações organizacionais. No mercado precisamos ser proativos e capazes de tomar decisões em poucas horas. Tradicionalmente as empresas formulam seu planejamento de maneira bimestral, semestral e anual. Os ajustes nesse planejamento ocorrem de maneira reativa às situações de mercado, sejam econômicas, sociais ou mesmo ações da concorrência. E muitas vezes pode ser tarde demais. Por isso os gestores precisam de indicadores, para lhe fornecer respostas imediatas sobre o que está acontecendo no ambiente interno e externo à organização. Na área comercial não poderia ser diferente. Uma gestão baseada em indicadores é garantia de alta performance na área de vendas. Quando se utilizam os indicadores corretos. No vídeo abaixo, em 90 segundos apresento os Indicadores Chave de Performance (KPI’s) para Gestão Comercial: Positivação, Ticket Médio, Mix de Produtos Vendidos, Descontos e Prazos ...

Inovação: um desafio constante

ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA MASTER 154. Autor: Alex Kunrath, Consultor Sênior IDAti Inovação é um termo recorrente quando se fala de gestão. Inovação estratégica, tecnológica, de processos ... mas e quando se fala em inovação do pensamento? Pensar diferente não é tarefa fácil. Muitos gestores estão acostumados a seguir seus processos, seguir suas métricas. Seguir o que aprenderam na academia e em sua vida profissional. Vivemos em um momento dinâmico, de adaptação de pessoas, empresas e sonhos, culturas e engajamento social. Portanto, o mundo está extremamente dinâmico. O ser humano está extremamente dinâmico. E isso se reflete no mercado. No SEU mercado colega administrador. Novas gerações. Novas necessidades. Não a simples satisfação na aquisição de um produto, mas na sua representação. O que sua empresa representa para o adquirente do seu produto ou serviço? Consumidores não são mais meros clientes. São pessoas engajadas em causas. Às vezes a inovação est...

Estratégias de Vendas na área da Saúde em 7 passos

Um desafio latente dos profissionais da área da saúde é vender os serviços prestados. Os conselhos impõe diversas restrições aos mecanismos tradicionais de estratégias comerciais, o que torna ainda mais complexa a tarefa de destacar clínicas ou mesmo consultórios no mercado. O caminho da venda para esses profissionais, sejam profissionais liberais ou mesmo gestores contratados, é indireto. Você não pode utilizar preços e promoções como ferramentas de divulgação. Sua comunicação basicamente será institucional, o que não permite uma conversão mais agressiva de vendas. Então, quais os caminhos para se estabelecer nesse mercado? Primeiro passo: se posicione Escolha um nicho de mercado onde vai atuar e para o qual você terá o foco de conversão de resultados mais sólido. Nenhuma empresa possui soluções para todas as pessoas. E isso inclui clínicas e consultórios.  Portanto, você deve definir seu público-alvo: qual a faixa etária, qual a renda, qual o per...

Já pensou que “pode ser” pode ser muito ruim?

Todas as pessoas que possuem acesso a meios de comunicação no Brasil conhecem a propaganda da Pepsi, onde a empresa utiliza o slogan “Pode ser muito bom. Pode ser Pepsi”, quando um cliente não encontra Coca-Cola e lhe é oferecida a opção Pepsi. Pois bem, essa propaganda está surtindo resultado positivos nas vendas da empresa. Porém, mesmo com bons resultados em curto prazo, um olhar mais crítico pode ser crucial para percebermos os abalos que a marca poderá sofrer em médio e longo prazo. Por que? A resposta é simples: posicionamento. Quando analisamos um pouco sobre a história dos refrigerantes de cola, percebemos que a Pepsi rivalizou por anos com a Coca-Cola pelo domínio do mercado mundial. A “nova geração” enfrentava os “tradicionalistas vermelhos” em uma batalha feroz pela preferência dos consumidores, chegando inclusive a ser o refrigerante mais vendido do mundo por um breve período de tempo. A Pepsi tem em sua história o comercial mais caro já produzido, onde Mi...

A integração do Marketing On-line e Off-line e sua influência em vendas

Marketing possui significado muito mais simples do que a maioria dos autores tentam explicar. Market é Mercado, Ing (interagindo, fazendo). Então vemos a interação, a constante adaptação de estratégias e posturas de uma empresa diante do mercado. Para nosso debate, Praça já foi objeto de estudos, nos anos 60-70, dentro dos 4 P’s (Preço, Praça, Produto e Promoção), significando Disponibilidade dentro de uma estrutura de segmentação de público-alvo. Então a Promoção ativaria esses clientes, criando interesse por parte de seus consumidores-alvo, seus Produtos seriam criados e posicionados pela sua qualidade, assim como variáveis de Preço (questões financeiras relativas ao mesmo) seriam o ponto final de análise da sua estrutura estratégica interna. Mas como se encaixa a venda on-line nesse modelo? Simples, alguns dirão: coloque seu produto ou serviço na internet, divulgue, venda e tenha um bom prestador de serviços para entregas. Use a promoção on-line, redes sociai...

O futuro já começou

O mundo está mudando a cada dia. Estamos prestes a vivenciar uma nova revolução em nossa estrutura social, dessa vez pela Inteligência Artificial Cognitiva. Estamos passando por mudanças profundas em nosso comportamento social. As pessoas cada vez mais se identificam em tribos, nichos, e se aglomeram atrás de vozes que supostamente as representam. Uma grande gama de jovens acadêmicos hoje atravessa uma graduação inteira sem abrir um livro sequer. Vivemos em um tempo de verdades absolutas, de imposições. A criação, a discussão como algo positivo, está sendo substituída por bandeiras. É chocante ver estudantes de administração defendendo a queda do capitalismo. É estranho perceber outros esperando o tempo passar, sem fazer o menor esforço em busca do futuro. É como se o futuro brilhante apenas aguardasse uma grande parcela de jovens daqui a alguns anos, como se um diploma fosse o suficiente para uma carreira de sucesso. Como está difícil contratar jovens que unam talent...