Pular para o conteúdo principal

COMO ELABORAR UM FUNIL DE VENDAS EXTERNAS?


Dentro da gestão comercial, o controle de funis de vendas é uma etapa fundamental de aferição dos resultados da equipe e previsão de resultados.


No que tange vendas online, temos diversas ferramentas disponíveis. A visão de etapas é simples:

- Atração de um público-alvo (leads)
- Interagir via conteúdos e soluções direcionadas para esse público
- Oferecer uma solução direcionada
- Controle de entradas
- Controle de desistências
- Remarketing ou Interações diretas para tratamento de objeções
- Efetivação da Venda ou Volta para a etapa de Interação

E presencialmente em vendas externas?

Se no ambiente online temos o controle dos passos dos usuários, nas vendas externas nos deparamos com o trabalho do vendedor. E esse pode ou não estar nos fornecendo subsídios para analisar o funil de vendas.

Onde está a chave? No relatório de visitas.

A ampla maioria dos gestores exige relatórios de visitas. Mas esses relatórios comumente não apresentam informações realmente valiosas acerca clientes e sobre o funil de vendas. Muitos gestores sequer leem os relatórios.

Se os relatórios de vendas são mera burocracia, você não vai ter o controle do funil de vendas. Já se os relatórios são extensos demais, dificilmente o vendedor vi preenchê-lo com qualidade.

Então, primeiramente, vamos criar a lógica dos seus relatórios passo-a-passo.

1)     Tipos de Vendas: Vendas de Impacto ou Vendas de Relacionamento

A venda de impacto é a venda imediata. Você não possui um longo caminho de negociações, você tem o produto ou solução pronto para a necessidade do cliente. É como se você fosse fornecedor de farinha e estivesse vendendo para uma padaria: a padaria precisa do tipo de produto que você vende e ela o compra constantemente.

Já a venda de relacionamento ocorre em longos ciclos. Nesse modelo você precisa desenvolver um relacionamento com o cliente para, quando surgir a oportunidade de vender, você estará entre os potenciais fornecedores de soluções. Imagine que você vende um maquinário fabril. Precisa encontrar o momento certo para a venda de sua solução.

A complexidade dos relatórios é bastante distinta. Vendas de impacto geralmente estão na casa das centenas ou milhares de reais, enquanto a Venda de Relacionamento está na casa das dezenas, centenas de milhares ou em milhões.

2)     Tipos de Clientes: Potenciais ou Transacionais

Gestão de Tempo significa desempenho. Um vendedor externo raramente tem tempo para desenvolver relatórios completos de todos seus clientes da carteira ou prospects. Então o primeiro passo é ter 2 modelos de relatórios: A) Relatório de Clientes Potenciais e B) Relatório de Visitas Transacionais.

Como assim?

Clientes potenciais são clientes de maior relevância para seus negócios, clientes que merecem uma atenção especial. Normalmente são grandes compradores ou clientes com potencial de compras não realizado.


Clientes transacionais são clientes que fazem cotações, compram ocasionalmente e com os quais não se tem nenhuma expectativa de relacionamento.

Imagine que você gerencia uma distribuidora: ao mesmo tempo em que faz vendas expressivas para clientes de maior porte, alguns pequenos lojistas, quando sem estoque, compram de você para repor seus estoques. Normalmente eles compram de fábrica, mas quando ficam sem algum item, fazem compras emergenciais na sua distribuidora.

Esse perfil de clientes faz transações com sua empresa quando precisa, não é uma prática constante de fornecimento.

Portanto, os relatórios devem ser diferentes. Um cliente potencial precisa de um controle de ações comerciais completo. Um transacional simplesmente merece um registro das vendas realizadas.

3)     Influenciadores nas Negociações

Como padrão, temos 3 tipos de influenciadores nas negociações envolvendo vendas externas:

A)     Influenciador Econômico: Aquele que preenche o cheque
B)     Influenciador Técnico: Aquele que avalia sua solução
C)     Influenciador Utilizador: Aquele que efetivamente irá usar sua solução

Obviamente, temos influências sociais, como amigos, colegas, outros empresários, familiares, avaliações em redes sociais, etc. Mas vamos ao que importa para o nosso relatório.

Imagine que você vende softwares de gestão. O decisor econômico será o diretor financeiro, o influenciador técnico o responsável pela TI do cliente e o utilizador será o usuário final.

O maior erro dos vendedores externos é focar seu trabalho no influenciador econômico. Essa é uma venda que exige respaldo dos demais influenciadores para ser concretizada.

O apoio do influenciador técnico é a certificação de que sua solução se encaixa às necessidades da empresa.

E o influenciador usuário é quem precisa testar na prática o produto e dizer que consegue utilizar sem maiores problemas a solução.

Imagine o cenário: Seu software é de Gestão de Vendas e você falou com o gestor de TI. Ele gostou da sua solução e acredita em seu potencial técnico. Mas se não falar com o Gestor de Vendas e, ocasionalmente, com algum vendedor, é possível que eles boicotem a aquisição do sistema. Então precisa do aval desses usuários, de forma que eles se sintam confortáveis com a mudança de metodologia imbuída na aquisição de um software.

Mudanças sempre geram resistências. Então você diminui a resistência englobando todos os influenciadores no processo de venda.

Finalmente, a decisão do Influenciador Econômico será embasada em uma visão técnica e em uma visão do usuário final, não simplesmente em custos envolvidos.

A venda ficou mais plausível.

Mesmo em empresas onde “o dono decide tudo” esse trabalho é muito importante, porque garante uma menor resistência e um feedback mais positivo da equipe em relação à sua solução.

Alguns se perguntam “por que a empresa não renovou o contrato conosco?”. Boa parte dessa questão está no trabalho mal executado em relação aos influenciadores.

Ficou clara a importância de trabalhar influenciadores? Vamos em frente!

MONTE SEU FUNIL DE VENDAS EXTERNAS

Seguem os tópicos mais importantes para análise de funis de vendas externas. Adapte à sua realidade, sendo que um funil de Vendas de Impacto sempre será mais sucinto e objetivo que um funil de Vendas de Relacionamento.

ETAPA 1: IDENTIFICAÇÃO DO CLIENTE
Essa primeira etapa de um relatório é um termômetro sobre o potencial da sua venda. Aqui você destaca um cliente Potencial de um Transacional.
Quem é o cliente?
Qual seu segmento de operação?
Quais as soluções que usa hoje?
Potencial de Compras: Produtos e Volume.

ETAPA 2: CONVERGÊNCIA
Nossas soluções se adequam às necessidades do cliente?
Que oportunidades foram encontradas?
Quais os planos do cliente para os próximos períodos? Pretende expandir? Pretende investir? Como podemos ajudá-lo?

ETAPA 3: INFLUENCIADORES
Quem são os influenciadores?
O que eles acham de nossa solução?
Próximos passos para cativar os influenciadores?

ETAPA 4: NEGOCIAÇÃO EFETIVA
Comparativos sobre nossa solução e as dos concorrentes
Ações que precisamos fazer para entrar ou manter o cliente
Objeções sobre contratação ou renovação
Prazo para decisão do comprador
Nível de confiança na venda (1 – 10)


Espero ter lhe ajudado! Até nosso próximo encontro.


ALEX KUNRATH, Consultor Sênior da IDAti



Postagens mais visitadas deste blog

OS NOVOS HORIZONTES DO COMÉRCIO COM BIG DATA

A utilização do Big Data é uma forma abrangente e inteligente de pensar no tratamento de dados para abordagem comercial. E as aplicações desses conceitos têm se mostrado especialmente úteis com resultados para empresas varejistas, sejam elas físicas ou virtuais. Na era digital em que estamos vivendo, praticamente quase todas as ações tomadas pelo consumidor principalmente no ambiente da internet em relação a um site ou pesquisas  de produtos deixam rastros (clickstream )— e isto não se restringe somente ao  varejo online ou e-commerce. Essas informações estão disponíveis para estruturação e consequente utilização com fins comerciais, no caso do varejo, para aumentar vendas, ticket médio, aquisição e retenção de clientes. Para exemplificar de forma  simples e familiar para a maioria das pessoas de como o Big Data já é usado em larga escala pelo varejo veja esta situação: Você pesquisa por um determinado produto em um e-commerce, verifica opções, compara pre...

As Tartarugas sobre Postes

Muitas vezes cedemos ao impulso de sobrevalorizar pessoas nas quais confiamos. Escolhemos pessoas que nos são caras, que criaram um vínculo emocional conosco. E que se tornam leais com o passar do tempo, parceiras em momentos de necessidade. Pessoas que devem sim ser valorizadas.  Mas quando você valoriza essa pessoa, está pensando na organização ou nos seus valores pessoais? Perceba, pessoas possuem perfis ou afins ou díspares. E não é porque não temos uma boa comunicação com uma pessoa de um perfil antagônico ao nosso que ela se torna menos competente. Assim como pessoas que criam afinidade, elos emocionais conosco, não necessariamente são mais competentes. Gestão envolve decidir. E nem sempre estamos preparados para decidir corretamente. Humanos são seres extremamente sociais. E afinidades são caras para nós. Então quando surge uma boa oportunidade de promover alguém da sua equipe você simplesmente pesa mais afinidades que competências...

O melhor restaurante de Londres no TripAdvisor ... que não existe.

Como a indução das pessoas pode alavancar negócios? Opiniões em redes sociais são fidedignas? O que devemos avaliar sobre o caso? The Shed at Dulwich é uma criação de um jovem londrino que resolveu desafiar a lógica do TripAdvisor. Estamos em um momento histórico de análise de Marketing, onde a simples propaganda de uma empresa e suas referências técnicas sobre produtos e serviços já é vista como potencialmente enganosa pelos consumidores. Hoje o papel dos influenciadores é formidável na tomada de decisões de nossos potenciais consumidores. Amigos, familiares, círculos sociais, redes sociais, fóruns de interação, vídeos de outros “consumidores” (muitas vezes de maneira patrocinada) acerca a experiência que os mesmos tiveram com produtos e serviços são parte fundamental de análise para o processo de compra. Nesse sentido o TripAdvisor cresceu e se consolidou como uma das fontes de informações mais relevantes do ambiente virtual. Moradores e viajantes avaliam estabel...

Como montar um Planejamento Comercial?

Dentro de organizações ou mesmo de pequenos empreendimentos, uma das questões-chave de qualquer negócio é o planejamento comercial. Existem diversas maneiras de formatar planos comerciais, mas nesse artigo vou orientar você em como montar seu planejamento comercial no formato Canvas. O Business Model Canvas é uma estratégia de estrutura de projetos bastante versátil, o que é ótimo em comparação à outras ferramentas e técnicas, como o próprio PMBOK, do PMI, voltados à projetos bastante complexos, principalmente de estrutura de TI e Engenharia. Portanto, vamos entender um pouco mais sobre o Canvas e aplicar os conhecimentos adquiridos em seu Plano Comercial. O Business Model Canvas Na modelagem Canvas nós utilizamos 9 centros de informações: Perceba, temos uma lógica aqui sendo desenvolvida: esses são os 9 pilares estratégicos de um negócio sendo abertos em 5 frentes de análise . O painel central é a Proposição de Valor: quais as soluções que sua empre...

Gerencie melhor seu tempo e venda mais!

As vendas externas possuem uma peculiaridade: os vendedores que aprenderam a gerenciar seu tempo ganham muito mais que os demais. Quando vislumbramos essa realidade, os mais jovens costumam relacionar esse rendimento superior a “um maior tempo de casa” e a “um relacionamento consolidado” deste vendedor sênior junto a seus grandes clientes. Estamos diante de uma meia verdade. Para consolidar a teoria do “tempo de casa” precisamos considerar que o vendedor sênior passou muitas horas em salas de espera, repetiu incontáveis visitas a inúmeros clientes até que, por seleção natural, estes se tornaram excelentes clientes. Se você conhece um vendedor que conta essa história de sua trajetória, saiba que está diante de um profissional obstinado, porém não necessariamente virtuoso. Eu pessoalmente gosto de uma segunda análise: o motivo para que este vendedor sênior ganhe mais é que ele aprendeu o valor do seu tempo. Vamos analisar o caso inverso, do vendedor inexperiente: Qua...

O que é Marketing Omnichannel?

Estamos diante de um conceito da moda. Omnichannel ou em bom português onicanal. É importante a abertura do termo, já que o prefixo ONI exprime a noção de “todos”, facilitando a compreensão de que o Marketing Onicanal nada mais é que a utilização de todos os canais de interação com clientes e pessoas em geral. De que se tratam “todos os canais”? A união entre estratégias e ferramentas online e offline. Um rápido vídeo explicativo sobre o assunto: Vivemos em uma sociedade conectada. Já não é possível, ou desejável, que uma organização utilize apenas estratégias offline para se comunicar com o público. Imagine que você utiliza panfletos para divulgar seu trabalho. No panfleto é desejável que existe um meio de digital de apresentação da sua proposta, seja um site, uma página em redes sociais ou mesmo um vídeo explicativo. Grandes empresas varejistas também estão trabalhando de forma integrada suas lojas virtuais e físicas, buscando que os clientes tenham uma experiên...

O que está por trás da censura no Facebook e no Youtube?

Você já deve ter visto diversas pessoas falarem sobre o tema. Estão perdendo relevância, seus conteúdos não chegam para inscritos ou contatos nas redes sociais. E isso é verdade. Nesse artigo você vai entender como funciona essa sistemática. A eleição de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos iniciou uma mudança nos algoritmos dessas redes, assim como um controle de palavras-chave e relevância. Pessoas que se tornaram engajadas em temáticas polêmicas sofrem com o chamado Shadowban. ·       O que é Shadowban? Em bom português, o shadowban é o banimento para as sombras, isso é, estão escondendo pessoas e canais em redes sociais. Os “escondidos” não são preferência em buscas espontâneas, tais como os “vídeos mais assistidos”, diminuindo a atração de novos seguidores, assim como a cada publicação aparecem para uma parcela cada vez mais restrita de seus seguidores ou inscritos. No caso de um perfil pessoal, uma parcela ínfima de ...